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22 de outubro de 2010

Akron/Family - Akron/Family [2005] + Love is Simple [2007]





Quem me apresentou o Akron/Family foram duas pessoas incríveis, o Jonathan Breger e a Jamie Menzel, seres que trombei durante uma mochilada em Montevidéu em 2006 e depois nunca mais vi, mas que deixaram várias boas lembranças. A Jamie era uma querida e tinha uma banda chamada World History. Já ele era o tipo de cara que mora num ônibus escolar com uma fogueira dentro, trabalha seis meses por ano numa fazenda de orgânicos e passa os outros seis hitchhiking por aí - bem a cara dele esse som, note-se. Na última vez em que nos comunicamos ele estava no Camboja, obviamente sem saber falar uma palavra de Khmer. 


Foi com essa cambada que aprendi a gostar do novo folk psicodélico, da New Weird America, de Animal Collective e de Riot Folk. Pasmem: eles não tomavam chá de cogumelo nem nada. Já os caras do Akron/Family... bom, só sei que eles eram alarmantemente barbudos, se refugiavam no mato, nadavam pelados no rio e adoravam um tal Ak-Ak. Estranho algo tão campestre se dar bem no Brooklyn. Culpa do Michael Gira.


Michael Gira é o fundador da Young God Records, selo de Nova Iorque especializado em figuras outsiders e off-hypes, que acabou lançando o primeiro álbum do Akron/Family, em 2005. Esse disco já nasceu clássico, convenhamos. Todos na banda tocam de tudo, rola uma sinergia absurda entre os músicos, uma coisa ritual, envolvente mesmo. O Gira se impressionou tanto com o talento desses ursos das montanhas que até os convidou a ser a banda de apoio do seu projeto Angels of Light, que acabou lançando um ótimo split com o A/F no mesmo ano.


O outro disco deste post foi lançado dois anos depois, em 2007. Mesmo sem aquela crueza singela e sincera do debut, Love is Simple pode ser considerado uma obra-prima. A loucuragem mezzo folk/mezzo prog, mezzo étnica/mezzo rocker continuou bem amarrada, numa viagem bem produzida e de arestas simetricamente aparadas  - o que incomodou alguns fãs mais xiitas, é verdade. Mas a pena mesmo é que logo após o lançamento desse puta álbum, e um pouco antes do início da turnê americana, um dos membros, Ryan Vanderhoof, saiu da banda para viver em um retiro budista Dharma. A célula foi quebrada, a coesão sonora-espiritual se diluiu e o último cd, Set'em Wild, Set'em Free, lançado em 2009, acabou ficando uma passação esquisita, sem Ak-Ak pra iluminar e guiar essas mentes tão férteis.


Akron/Family
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Love is Simple
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20 de outubro de 2010

Afghan Whigs - Gentlemen [1993]



Falar bagaceirice em música não é um troço muito fácil - se você tem estômago, claro. Talvez o problema esteja nos movimentos peristálticos das whore singers, nos axégodes e suas celulites, ou nos GTA pimps smacking their bitches up. Vai saber, pra gente normal o tema é delicado mesmo.


Hoje você pode tocar no assunto com sarcasminho de buatchy, tipo o Natalie Portman's Shaved Head, mas falar seriamente de sacanagem sem provocar vergonha alheia - porque, afinal, sacanagem é coisa séria - em plenos anos 90 não era pra qualquer um.  Antes fosse nos 70, abençoada purpurina. Mas nem pansexualismo rolava na jogada, era um esquema de amor mesmo. O cara berra e sofre bagarai.


Falando em purpurina, desconfio que o Brian Molko (outro que inseminou o róque com baixaria love stories), fã declarado de Afghan Whigs e do Greg Dulli, tenha se inspirado na letra de What Jail is Like para batizar sua Scared of Girls.


Gentlemen
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Aden - Black Cow [1999]





Sonzinho de Washington DC, embalou algumas tardes da minha recém adquirida maioridade, uns 10 anos atrás. E eu não entendia por que a catrefa do grindcore e do doom metal me achava tralálá... o estranho é que os twees também achavam que tinha nota demais e tchu tchu tchu de menos nisso aí.

Essa banda deu um sumiço neste século - lançaram o último disco em 2002 e depois nunca mais. Sei que o guitarrista e banjista (que é um octopus, por sinal) continuou tocando com um povo da New Weird America, mas parece que é só.

Há pouco sugeri esse disco a um amigo, mas parece que não se encontra mais para baixar em lugar algum - e olha que ele é empenhado na função da busca. Bom, look no further:

Black Cow