O Dan Black pode ter aquele jeitão ploc-ploc pão-com-ovo dele, mas que o rapaz sabe fazer música *pop*, ah sabe. Tá, eu já disse isso, tou ligado. Em todo caso, fazer música pop perfeita não basta para garantir o sucesso de alguém; nem assinar com uma major, nem chamar o Kid Cudi pra fazer participações, nem ser indicado num VMA qualquer. É, a vida é dura... he was dressed for success, but success never came. Uma pena, mas talvez o mainstream não seja pra você, amigo. Pense bem, o Passion Pit, que chegou a fazer um remix bizarrão de uma música sua, se deu um pouco melhor. O que isso quer dizer?
Alguns discos que foram lançados este ano já se tornaram clássicos aqui na estratosfera, como o Halcyon Digest. Logo que o negócio vazou, Marcell já levantou a bandeira: "clássico instantâneo, amor à primeira audição". Mas ele também estava certo dizendo que postar "o que realmente se tenha entendido" é mais digno do que se estropiar na corrida armamentista dos links vazados. Assim, quase dois meses de amor auditivo ininterrupto, está certo: não foi fogo de palha.
O álbum é comoventemente simples e bem estruturado. As canções parecem umas elipses em concordância traçadas a grafite, rola um senso de conjunto. Os timbres noventistas trazem uma sensação familiar no meio da confusão fractal, e as melodias chegam a ficar na cabeça por dias, tipo um brainworm do bem. Pareceu foda ser um cara esquisitão de dois metros de altura e cinqüenta quilos, que costumava se inspirar num final de semana lisérgico qualquer pra gravar um EP malucão de meia hora, e de repente lançar uma bolacha histórica dessas.