20 de julho de 2011

Ride - Nowhere [1990]



Clássico dos clássicos, o melhor disco do Ride de longe e, por consenso, a segunda maior referência shoegazer do mundo depois do Loveless, do My Bloody Valentine (ok, capítulo à parte). Foi o 74º lançamento da Creation Records, e como piada, ficou em 74º lugar do 90's Top 100 da Pitchfork.


Eu tinha apenas nove anos quando ele foi lançado; desnecessário dizer que só fui conhecer meia dúzia de anos mais tarde, nos anos cósmicos da chatolescência. Não sou tão indie assim. ¬¬ Mas enfim, emocionou, e na época lembro de escutar os mais velhos (respect!) discutindo, no corredorzinho agradável que um dia foi o James Bar, se o Tarantula (última bolacha inédita da banda) era ou não um álbum à altura do Ride. Não, não era.


Nowhere
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1 de maio de 2011

Warpaint - Exquisite Corpse [2009]




Não importa se elas são ou não queridinhas da América, o que importa é que o John Frusciante gravou esse EP com seus próprios gravadores de fita de rolo. E também é bacana saber que não é só a sua banda que se enrola a valer pra fazer um disquinho: as Warpaint começaram este em 2007, pararam, voltaram, mudaram de idéia, fizeram tudo de novo em 2008, meio que soltaram o EP por baixo dos panos, depois se enrolaram mais um tempo e finalmente lançaram por um selo, lá no final de 2009.


Ano passado saiu o primeiro full-length da banda, debut aguardado à base de ansiolíticos. As músicas estão bacanas, o álbum é bem bom e tal, maaas... não rola este clima. Por enquanto, este aqui continua sendo O disco delas.


Exquisite Corpse
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18 de fevereiro de 2011

Thieves Like Us - Play Music [2008] e Again and Again [2010]





Primeiro foi um romance noir clássico, do tipo crime/tragédia (1937). Depois, baseados nele, vieram dois filmes (1950 e 1974). O último inspirou uma música do New Order (1984), que por sua vez influenciou um grupo de synth pop lo fi (2002). O jogo de dominó no nome Thieves like Us é mó blasé. 


E os caras da banda vão atrás do glamour mesmo: fazem o tipinho cidadãos do mundo (o vocalista é de Nova Iorque, o camarada dos synths e o baterista são suecos; eles se conheceram em Berlin mas acham que são de Paris), curtem uma pesquisa em electronica vintage e todo aquele ar de metrópole retrofuturista. O resultado podia ser uma parada assim, clubber dândi, mas para nossa alegria o som cede ao estigma e acaba sendo esquisitão e um tanto quanto tristonho.


Os vocais gravados em casa, em cima de mil layers de sintetizadores analógicos, imprimem a sinceridade dum pobre nerd; um pobre nerd baladeiro que pode gravar seu primeiro disco em diferentes lugares do planeta - o Play Music foi feito em seis cidades, sendo uma delas o Rio de Janeiro. Aliás, em 2009 eles tocaram em Porto Alegre e São Paulo, e só fiquei sabendo disso quase um ano depois... arranquei os cabelos, é claro.


Play Music
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Again and Again 
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11 de janeiro de 2011

Magnetic Morning - A.M. [2008]




Toda pessoa de bem tem um espaço reservado para o Swervedriver no coração. Fato.


Haha, parei, senão vão me agredir na rua - senso de humor é que nem mamilo esquerdo. O fato é que o Swervedriver é foda mesmo. Por conseguinte, o guitar hero do Adam Franklin é foda também. Ele compõe bem, vai.


Uns dez anos depois do último disco da banda, ele lançou esse álbum. Acho que a crítica especializada só prestou um pouco de atenção no projeto porque o baterista é o cara do Interpol (tido quase como um frontman), mas mesmo assim não rolou empolgar muita gente. Talvez porque tenha rolado uma reunion do Swervedriver naquele mesmo ano. Whatever. O que importa é que chamaram o cara do Album Leaf pra tocar teclado nas gravações, imagine só: fumaça shoegazer estratosférica e escura pra todo lado, muito amor.


O engraçado é um cara de Oxford e um de NYC decidirem gravar e lançar um disco justo em Athens. Por que será?


A.M.
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30 de dezembro de 2010

Cut Copy - In Ghost Colours [2008]




Daí tem o Cut Copy, claro. Nem tem muito o que falar, a não ser que este disco pode salvar vidas e que quem não ouviu deveria ouvir.

E deveríamos todos ser muito gratos à Austrália por ela ter esquecido aquela história de surf-music-óleo-da-meia-noite e ter começado a presentear o mundo com electro gifts de primeira, tipo o Van She, os Presets, o Pnau, o Empire of the Sun... e o Cut Copy.

O Zonoscope, terceiro disco deles, é pra sair no começo de fevereiro. An-si-e-da-de.


In Ghost Colours
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12 de novembro de 2010

The Rural Alberta Advantage - Hometowns [2008]




Tá, confesso: baixei esse disco porque a Pitchfork deu uma nota boa na época, prontofalei. A resenha saiu por ocasião do relançamento do álbum pela Saddle Creek, em meados de 2009, quando o power trio assinou contrato e deixou para trás o status de melhor banda independente do Canadá


As canções sobre os verões nas Rochosas e os invernos campestres ganharam meu coração; os arranjos diretos e a sinceridade das letras são fodas. E ah sim, o baterista é um surtado, isso contou também. 


Alguém disse que não passava de uma chupação de um tributo ao Neutral Milk Hotel, mas bah, esse alguém não se ligou na infiltração dum certo synth pop tosco ou no equilíbrio semi afinado que os backings da menina trazem pra parada. Por outro lado, também não se trata de um absurdo, em absoluto - a estética lo-fi, os violões distorcidos e os eventuais descontroles do vocalista não disfarçam que os RAA gostam mesmo da patota do Jeff Mangum, assimilando e retransparecendo todo aquele desespero melancólico que consegue deixar nossos dias subtropicais ainda mais animados.


Hometowns
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9 de novembro de 2010

Miike Snow - Miike Snow [2009]




Ano passado eu estava super viciado nesse disco. Desejei muito que ainda acontecem edições da Invasão Sueca em Curitiba, até mandei um tweet ao Papai Noel pedindo um show dos caras por aqui. E não é que, quase exatamente um ano depois, meu pedido foi atendido? Quer dizer, mais ou menos, porque a banda se apresentaria em São Paulo, Porto Alegre e Recife, mas né? Jogo bom assim mesmo.


E lá fomos eu e o Jaime para o Rio Grande do Sul. Olha, vou te dizer, foi foda! Entrou pro top 10 de shows da vida. Bem mais pesado que no disco, eletrônico pancada mesmo. Não acreditei na vibe do povo pulando e cantando os refrões - afinal, uma semana antes parecia que ninguém nunca tinha ouvido falar neles. E rolou mais uma coisa inesperada nesse sentido: foi para vê-los ao vivo que 60 fãs do Rio de Janeiro se reuniram, numa iniciativa inédita no Brasil, para bancar a gig do próprio bolso, conseguindo no fim levar 850 pessoas para o Circo Voador em plena segunda-feira (!!). Palmas pra rapaziada de lá, mandaram bem.


Mas então, baixa aí, ouve e vê se concorda com a gente: o clima é soturno, um pop hipnótico, bem construído. Nem vou comentar que esses camaradas já produziram coisas pra Madonna e pra Britney pra não criar resistência, haha, mas acredite, eles usam seus poderes para o bem. Talvez o electro-ska esquisito de Animal (primeira faixa e primeiro single do álbum) te deixe meio em dúvida na primeira audição (isso aconteceu comigo), mas é só seguir adiante pra perceber que o disco inteiro é phoda. Em pouco tempo as estrofes estarão ecoando pela sua cabeça e você mal se lembrará de ter estranhado um dia. Tá, acho que esse coelho bizarro com chifres (que aparece em todos os clipes deles) também pode ter alguma coisa a ver com isso.